sábado, 6 de julho de 2013

Aluno de MG consegue vaga em federal sem concluir ensino médio

  • Acervo Pessoal
    Guilherme Dias fará engenharia na Federal de Lavras
    Guilherme Dias fará engenharia na Federal de Lavras
O estudante Guilherme Lopes Dias, 17, conseguiu na Justiça o direito de fazer a sua matrícula e frequentar as aulas do curso de engenharia de controle e automação da Ufla (Universidade Federal de Lavras) mesmo sem ter concluído o ensino médio.
Respaldado pela nota obtida no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2012, ele se gabaritou a uma cadeira na sala de aula da universidade, situada na cidade de Lavras (240 km de Belo Horizonte).

Um advogado contratado pela mãe do estudante entrou com um mandado de segurança contra a Secretaria de Educação de Minas Gerais para a emissão do certificado. Vencida essa etapa, o rapaz sofreu outro revés por causa do encerramento do prazo de inscrição na Ufla. Segundo ele, a sua vaga já teria sido repassada a outro candidato remanescente da lista do vestibular.
Segundo Dias, como não tinha o certificado de conclusão do ensino médio, foi impedido de fazer a sua matrícula na instituição de ensino.
"Recorremos então à Justiça Federal, porque a universidade é federal", relembrou Dias. Ainda conforme seu relato, a decisão judicial foi favorável à sua inscrição no curso.

'Fominha'

Questionado se valeu todo o esforço empreendido por ele e pela mãe ao antecipar a sua entrada no ensino superior, Lopes admitiu ser "fominha". Dias estudou em escolas públicas e cursava o segundo ano do ensino médio no IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo).
"Sempre gostei de estudar. E não era por imposição, mas porque gosto mesmo, o dia todo. Vou tentar aproveitar ao máximo o que a universidade puder me oferecer", afirmou. A expectativa agora, segundo Lopes, é pelo início efetivo das aulas, que será na próxima quarta-feira (15).
"Sempre me dei bem com pessoal mais velho. Para mim, valeu muito a pena porque a possibilidade de crescer é grande, além do tempo que vou gastar para ir à universidade ser muito menor do que gastava em São Paulo", resumiu o estudante, que morava com uma tia na capital paulista. Ele ainda adiantou pretender seguir carreira na iniciativa privada ao cabo da conclusão do curso.
"Com certeza eu faria o ensino superior. Podendo adiantar isso, foi uma mão na roda. Para mim, foi normal", avaliou.

"Não tem limites"

Aparecida Lopes, mãe do estudante, disse que o "périplo judicial" foi feito em razão de o filho ser um estudante dedicado, para quem valeria o esforço empreendido. Ela o considerou um rapaz "sem limites" quando o assunto é o estudo.
"Não foi fácil, é muita burocracia. Mas valeu a pena porque ele tem capacidade de estar na universidade. Ele é muito esforçado. Ele sempre foi precoce e não tem limites", disse entre risos. 
A assessoria da Ufla afirmou que a universidade acatou a decisão judicial e a matrícula do aluno foi feita. A instituição não pretende recorrer.
UOL

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